Bem-vindo a era da economia criativa

Criatividade: o Petróleo do século XXI

Roberto Sá Filho

Criatividade é a grande riqueza deste século. Se a humanidade já viveu as eras do carvão e do petróleo como principais matérias-primas, agora está no campo das ideias, o principal ativo das empresas. Essa criatividade é a capacidade de inovar, de reinventar e superar adversidades, seja reduzindo os custos ou aumentando os ganhos. Novas ideias podem estar na logística, na gestão, em novos produtos e processos, ou até em algo que  ninguém pensou ainda. Essa é, sem dúvida, a era da economia criativa.

Essa história, que pode até parecer nova para alguns, já é trabalhada na Austrália e, em seguida, na Inglaterra desde meados dos anos 90.

Blair, em seu programa de governo, entendeu que a criatividade e a cultura são aquilo que ninguém pode tirar de um povo. Um exemplo claro desse entendimento na realidade brasileira é o Carnaval carioca, se hoje é a China quem produz as plumas e os paetês que embelezam a Marquês de Sapucaí, amanhã a força dessa indústria pode estar no Japão, nas Coréias ou em Singapura. Mas seja onde esteja aonde estiver, essa indústria não irá produzir a Mangueira, a Portela, a Beija-Flor e todas as escolas que são parte da cultura carioca, afinal, essas são manifestações que continuarão por aqui, pois são brasileiras na essência e na excelência.

Desta forma, a criatividade,com elos em cultura e conhecimento, tornara-se um elemento diferenciador das empresas e pessoas, que sobreviverão nos próximos anos e eliminarão àquelas que se tornarem obsoletas.

O que pode parecer estranho para alguns é investir em algo intangível e imensurável, afinal, não podemos ver, pegar ou medir a criatividade de alguém ou de uma empresa. Mas, assim como o petróleo gera seus subprodutos, a criatividade gera entre outras coisas, inovação.

No entanto, é preciso lembrar que este produto, a inovação, não precisa ser necessariamente um novo objeto físico, podendo se apresentar como um modelo de gestão ou em práticas de negócio, que em geral possam ser replicados e comercializadas, às vezes  ainda de forma intangível também, alterando lógicas e propósitos das empresas, como por exemplo as barbearias com chopp que se multiplicam nas cidades brasileiras e acabam resgatando uma profissão tradicional como a dos barbeiros, que começava a sumir do cenário. Não tenho números para dizer o quanto esse segmento gira em Reais, mas certamente é um volume bem maior do que girava há alguns anos, quando a barbearia masculina era um segmento com lojas mais simples em locais menos evidentes e nobres como hoje em dia.

Desta forma, se a criatividade mostra-se tão importante para as empresas nessa nova era, vale lembrar que ela necessita de gente para aflorar, afinal, são as pessoas e não as empresas ou máquinas, que detém do poder de criar. E ter profissionais criativos é bom, já que uma pessoa que trabalha o seu lado criativo e uma não criativa, no início de carreira, custam a mesma coisa. A vantagem de profissionais criativos é que estes estão executando seu serviço o tempo todo, ninguém para de pensar quando deixa o escritório.

Essa hora extra ainda  não remunerada é um benefício para empresas, pois não pagam nada a mais por ideias tidas em casa, no carro ou durante um churrasco no domingo. Entretanto, para as empresas os louros dessas ideias fora do escritório são os mesmos daquelas tidas nos horários comerciais.

Consequentemente, se para John Howkins, um dos papas da economia criativa no mundo, "uma sociedade que reprime ou utiliza mal seus recursos criativos e adere ao contrato de propriedade incorreto não pode prosperar", o mesmo vale para profissionais, afinal, a criatividade como qualquer outro talento precisa ser trabalhada, exercitada e aprimorada para que possa ser eficiente quando necessária. Por isso mesmo, diversos profissionais buscam cada vez mais investir em como explorar o seu próprio potencial criativo, já que este é o novo ouro, e como diria Silvio Santos, “vale mais que dinheiro”.

Por isso, que me desculpem aqueles que investiram nos campos do Pré-sal, mas a criatividade é uma matéria-prima muito mais eficiente e rentável. E além de ser inesgotável e não poluir, a criatividade nunca falha.