Não sou síndico de processo de criação

Como comer uma banana?

Por Ricardo Dolla

Reparei outro que aqui na Europa as pessoas comem banana de maneira diferente. Pra começo de conversa, nunca me ocorreu que existisse mais de um jeito de comer uma banana. Pra mim estava sacramentado que você tirava a casca, mordia o conteúdo e pimba. Pois bem, descobri que não. Aqui eles descascam as bananas, e usando o polegar e o indicador meio que como uma pinça, quebram a banana e comem esse pequeno naco. De naco em naco até o fim da refeição. (Vocês não sabem quantas vezes eu tive que revisar esse texto pra ver se não continha dupla interpretação.)

 

O fato é que existem mil maneiras de fazer as coisas (das mais banais as mais complexas) e a gente nem se dá conta por que está “setado” para fazer da maneira que aprendeu, ou está acostumado. Nenhuma novidade até aqui. Mas como no caso da banana, aqui, eu fui exposto a novas maneiras de pensar campanhas, e algumas (muitas) vezes tive que dançar conforme a música e me adaptar ao formato que os europeus estão acostumados.

 

Não tenho nenhuma pretensão em dizer qual o melhor formato, até porque não sou síndico de processo de criação. Mas gostaria de oferecer aos colegas o exercício de tentar sair dos mesmos processos (e aqui convido todos os departamentos). Não somos pilotos de avião comercial, se fizermos tudo ao contrário ou viramos as coisas de cabeça para baixo durante um dia apenas, não vamos incorrer em nenhum desastre aéreo com vítimas, nem seremos demitidos. Aliás, somos pagos para ver as coisas sob novas perspectivas, para virar o avião de ponta cabeça. E tenho a impressão que quando nos colocamos sob novas perspectivas pode ajudar e bastante. Confesso que depois de dois anos trabalhando fora fui obrigado a me colocar em novas perspectivas, e por mais que seja um baita desgaste repensar seu jeito de fazer as coisas, é também uma baita experiência incrível cheia de descobertas positivas. E é apenas isso que eu posso prometer a você, se você tentar: desgaste e descobertas. Mas no final vale a pena. Bem melhor do que ficar reparando como as pessoas comem banana. Eu hein!? Coisa de gente sem assunto.