Somos afobados, diretos e prezamos pela retórica do papo reto

Adeus, falcatrua!

Pedro Portugal

Longe de mim ser o cara “do contra”. Na verdade, eu sempre procuro enxergar o copo meio cheio. Enquanto muitos publicitários reclamam do mercado carioca, prefiro olhar a coisa por outro prisma. Acho que, no fundo, evoluímos profissionalmente e fomos os primeiros a nos curar de uma doença que acomete o restante das agências do país: a falcatrua.

Deixamos de inverter a lógica do nosso ofício. Voltamos a ser um lugar para quem entende que é a criatividade que está a serviço da propaganda e o contrário só dá prejuízo. De certa maneira, isso justifica a baixa valorização de uma comunicação desconectada da realidade dos clientes, fantasmas e de big ideias que já nascem destinadas a uma vida de premiações.

Foi na marra, mas talvez a retomada desse estado de sanidade mental também tenha sido foi favorecida pelo nosso DNA. Somos afobados, diretos e prezamos pela retórica do “papo reto”. Por isso, é natural que aqui nada seja mais valorizado que a verdade. Nosso terreno nunca foi preparado para a falcatrua. Nossa propaganda é pé no chão. E o Rio é para quem ama propaganda.